08.08.2018 às 11:22

Manutenção baseada na condição: tendência já é realidade na MRS

Colaborador foi convidado a apresentar case em conferência europeia. Desenvolver ferramentas para análise de informações e núcleos para pesquisas foi necessidade pontuada no evento

Condition Based Maintenance – ou manutenção baseada na condição. Esse foi o tema de destaque da “The Rise of IoT & Big Data in Rail – Munique 2018”, conferência europeia que aborda, anualmente, conceitos da indústria 4.0 na ferrovia, em busca de eficiência em custos e modernização do setor. O analista ferroviário Arthur Filgueiras foi convidado a apresentar um case na edição desse ano, que aconteceu em maio. Segundo ele, a MRS está bem nivelada com as ferrovias internacionais no que diz respeito à aplicação dos conceitos.

“Algumas mudanças começam a ficar evidentes quando passamos a usar o conceito de CBM. A tendência da mudança na execução da manutenção preventiva cíclica, segundo planos em intervalos definidos, dá lugar, por exemplo, a uma execução majoritária da manutenção em intervalos dinâmicos condicionados às informações fornecidas no trabalho preditivo. Um aspecto que vale ser ressaltado é que a MRS está bem evoluída na maioria dos conceitos debatidos na conferência, principalmente em alguns dos sistemas de sensoriamento de ativos de material rodante – telemetria de locomotivas, vagão instrumentado, RFID, Wheel Impact, Truck View, RailBam -, eletroeletrônica – monitoramento de PNs, DDs, MCHs, SAE, Repetidoras, CDV codificado – e via permanente – Ultrassom, Verse, RIV, Teste Site, Track Star”, avalia Filgueiras.

A manutenção preditiva (baseada na condição), uma subdivisão dentro da engenharia de manutenção, não é algo novo, exatamente, mas, de acordo com Filgueiras, nos últimos cinco anos vem adquirindo cada vez mais maturidade na indústria 4.0, principalmente com os avanços na área de TI.

“O desenvolvimento de plataformas para análise de Big Data e inteligência artificial (deep learning) e a disseminação da internet das coisas no setor ferroviário possuem papel fundamental para a aplicação dessas tecnologias propostas pela indústria 4.0, pois dados soltos por si só são como dinheiro sem investimento, ou seja, se desvalorizam com o passar do tempo”, explica.

O case

Tudo começou com a busca por uma solução técnica para otimizar o processo de rastreamento dos vagões no porto de Santos, eliminando controles manuais com baixa produtividade e confiabilidade. A atividade, que atualmente é executada de forma manual, deixando o processo improdutivo, precisava ser automatizada. Para isso, uma equipe multidisciplinar, formada por Sérgio Rossignoli (Confiabilidade de Eletroeletrônica), Wiler Luz (Centro de Controle Operacional) e Flávio Novaes (Governança), foi criada para implantar um sistema de rastreamento de vagões no Km 5 do pátio de Santos. A partir daí, seria possível avaliar a performance do projeto piloto, permitindo aplicações da solução em mais 26 pontos para monitoramento de todos os trens que circulam na região. Assim foi feito.

“Usamos o Sistema NEC Train Tracking (NTT) para receber, de forma centralizada, as informações dos sensores de campo que usam tecnologia RFID. Na segunda etapa do processo, as informações de RFID e do Sislog são processadas no servidor central, que compara a informação recebida com a existente na base de dados (Sislog), visando correção dos dados irregulares contidos no sistema, depois de exibir possíveis inconsistências ao operador”, explica Wiler Luz.

Depois de testes realizados no projeto piloto, foram identificados diversos ganhos que confirmam as expectativas e indicam possibilidade concreta de aplicação da solução em outras regiões: aumento da confiabilidade do processo (automação); rastreamento automático dos vagões, exibição da leitura da composição e comparação com Sislog; melhoria na gestão de descarga e localização dos ativos, garantindo análises e ações imediatas; controle dos tempos de retenção de vagões no porto; redução de Trem Hora Parado (THP), devido a eventuais erros de inserção de dados manuais; aumento de produtividade do agente de estação; eliminação dos erros de digitação e de formação de trens; e maior controle sobre trens de outras ferrovias que circulam na região.

Por MRS