28.08.2017 às 10:48

O que se passa na cabeça de quem corre na frente do trem?

Dentro do trabalho de aprofundamento da MRS nas questões que levam à imprudência e à impulsividade, a empresa conduziu uma pesquisa com as populações de Juiz de Fora (MG) e Pinheiral (RJ) sobre hábitos e percepções sobre risco

O que leva uma pessoa a correr na frente de um trem ou a forçar passagem num cruzamento, mesmo conhecendo os riscos envolvidos? Para avançar um pouco mais no entendimento do comportamento de pedestres e motoristas que lidam diariamente com a travessia da ferrovia, a MRS foi a campo e realizou uma pesquisa de opinião. As entrevistas foram coletadas em locais de grande circulação de pessoas, em bairros com presença da linha férrea, entre os dias 18 e 30 de junho de 2017, e se concentram em como as pessoas conhecem e avaliam riscos e em seus hábitos no relacionamento diário com os trens.

“Ficamos positivamente surpresos com alguns resultados como a avaliação da quantidade e da qualidade das passagens, que as populações das duas cidades avaliaram bem, mas ainda vemos uma permissividade muito grande com fatores que são inclusive infrações do CTB, como ingerir álcool e dirigir ou usar o samrtphone ao volante”, comenta o especialista em Segurança de Riscos Operacionais, Filipe Berzoini. “Vamos agora trabalhar mais a fundo nos perfis e nos hábitos, cruzando as informações com nossa base de acidentes. Quanto mais soubermos sobre as motivações de quem assume riscos desnecessários, mais efetivas poderão ser nossas ações de conscientização e de prevenção”, diz.

A pesquisa foi aplicada por empresa especializada, independente, exclui colaboradores e tem índice de confiança de 95%, com quatro pontos percentuais de margem de erro, para cima ou para baixo. Confira alguns resultados selecionados:

Passagens em Nível 

A maioria dos entrevistados manifestou opinião de que a sinalização das passagens é adequada e clara (75% em Juiz de Fora, 65% em Pinheiral). Os moradores também consideram que há um bom número delas, tanto para carros quanto para pedestres (63% JF, 75% PI). Nas duas cidades, a presença da ferrovia é bastante efetiva.

 

Álcool

Incrivelmente, nas duas cidades houve um número significativo de pessoas que acreditam que uma pequena quantidade de álcool não atrapalha na hora de dirigir. 16% dos entrevistados em JF e nada menos do que 38% em Pinheiral acham que tudo bem, uma cervejinha não vai matar ninguém. Nada mais falso. Estima-se que os acidentes de trânsito decorrentes do consumo de álcool no país sejam responsáveis pela perda de 40 mil vidas no último ano.

Fluxo bidirecional 

Embora em muitos pontos da malha (1.643 km ao todo) exista um sentido mais usual para o deslocamento, é sabido que os trens se deslocam nos dois sentidos. Em Juiz de Fora, a pesquisa identificou uma lacuna de informação, com 29% dos respondentes indicando não conhecer esse aspecto. Juiz de Fora, na chamada “Linha do Centro”, de fato tem muito mais trens circulando vazios e no sentido sul-norte. Ainda assim, a qualquer tempo esse fluxo pode ser alterado, sem contar com trens de serviços e equipamentos de manutenção de via, que frequentemente precisam se deslocar no sentido “menos usual”. Em Pinheiral, onde há uma dinâmica bidirecional mais presente, a população está mais consciente sobre o fato (13% de desconhecimento).

“Não dá para esperar” 

A ideia de que o trem leva tempo demais em sua passagem também não vale para todos. Em JF, 56% das pessoas consideram o tempo de passagem rápido. São 50% em Pinheiral.

Mais jovens, mais riscos

De todos os segmentos da pesquisa analisados, os mais jovens são os que mais assumem riscos. Especialmente em Juiz de Fora. Ganharam destaque negativo no quesito segurança as pessoas com menos de 25 anos na condição de pedestres e os motoristas jovens, com menos de três anos de habilitação. Na cidade mineira, 5% desses jovens motoristas disseram sempre tentar atravessar a passagem com a cancela em movimento. Mais de 30% estão sempre ouvindo música, no carro ou em fone de ouvidos (na condição de pedestre) e 45% usam o celular para acessar mensagens e outras funções enquanto estão andando na rua. Pior: quase 10% dos jovens motoristas de JF admitem usar o smartphone enquanto dirigem.

Comunicação 

Há alguns anos, a MRS optou por enviar à imprensa, especialmente para telejornais, imagens de câmeras de segurança que mostram os casos, quase diários de imprudência, desatenção e impulsividade. Essas imagens atingiram cerca de 90% das pessoas nas duas cidades. Quem assistiu (na TV, no Facebook da MRS ou pelo WhatsApp), aprovou: 81% (mesmo resultado nas duas cidades) dizem que essas imagens ajudaram a levar a um comportamento mais preventivo próximo à linha férrea.

Por MRS